“Fiquei 54 horas seguidas jogando, de sexta a segunda de manhã, sem comer, sem dormir, só café e pão seco. Cheguei perto de virar morador de rua. Um amigo me emprestou uma casa no meio do mato pra eu morar sozinho, e foi lá que entendi: ou eu morria, ou eu vivia. Perdi casa, carro, trabalho e casamento. Falsifiquei documentos pra conseguir crédito e cheguei a levar ameaça de agiota com arma na mão. Entrei num grupo de apoio, fiz acordo pra pagar cada dívida aos poucos, e hoje mantenho a sobriedade há mais de 17 anos, indo às reuniões toda semana.”
“O momento mais pesado foi ver minha família sendo constrangida na porta de casa por causa de uma apreensão de veículo, com meus filhos pequenos ainda dentro do carro. Cheguei a sair de casa duas vezes, sustentando mentiras sobre dívidas escondidas com bancas clandestinas e apps de aposta. Decidi abrir tudo pra minha esposa, sem esconder mais nada, e fui atrás de cada credor pessoalmente pra reparar o que dava. Hoje aprendi a lidar com os momentos de crise sem deixar a dor virar gatilho de recaída.”
“Cheguei a tentar suicídio depois de esgotar todos os meus limites bancários e cartões. Perdi um relacionamento importante nesse processo. Minha mãe foi quem me segurou, disse que ia entrar comigo no fundo do poço e só sairíamos juntas. Entrei num grupo de apoio, comecei acompanhamento psiquiátrico e terapêutico, e criei um combinado diário com ela: uma mensagem simples, todo dia, contando os dias sem jogo e sem mentira. Hoje reconstruí o que tinha perdido.”
Se você se identificou com esse relato e está passando por um momento parecido, o CVV atende 24h, de graça e em sigilo: ligue 188.
“Ganhei uma quantia alta num único dia. Saquei metade, deixei a outra metade jogando. Meia hora depois já tinha perdido tudo, inclusive o que tinha sacado, e ainda peguei mais dinheiro emprestado. Passei a noite inteira andando dentro de casa feito um louco. Depois disso vieram anos de empréstimos, mentiras pra amigos e uma culpa que não passava. Só consegui virar a chave quando admiti a compulsão pra minha companheira e entreguei o controle financeiro pra ela. Voltei pra terapia, mudei de rotina, e estou reconstruindo minha vida aos poucos.”
“Usei o nome e o crédito do meu pai sem ele saber, num momento de desespero, e causei um rombo grande na empresa da família. Destruí a confiança que ele tinha em mim, e ainda perdi um relacionamento nesse caminho. Decidi expor a verdade inteira pra minha família e pro meu círculo mais próximo, em vez de continuar escondendo. Reatei o relacionamento, voltei a jogar esporte pra canalizar a ansiedade, e hoje trabalho pra devolver aos poucos o que causei ao meu pai.”
“Usei o cartão de parentes que confiavam em mim, achando que era só uma renda extra, e não consegui pagar depois. Anos mais tarde, numa recaída, perdi meu lar e fui morar com meus pais de novo, já adulto, dormindo num colchão no chão. A vergonha foi imensa. Minha esposa disse que eu nunca ia mudar. Fui atrás dela, contei a verdade completa sobre as dívidas, com bancos e com agiotas, e consegui uma última chance. Hoje mantenho presença semanal inegociável no grupo de apoio.”
Esses relatos são adaptados e anonimizados a partir de histórias reais compartilhadas com o movimento. Nenhum nome, imagem ou dado que possa identificar quem viveu isso é divulgado, seguindo a política de privacidade do Movimento Solta a Carta.
Se alguma dessas histórias mexeu com você, existe apoio real e gratuito. Você não precisa esperar chegar nesse ponto pra pedir ajuda.